Interrogações.

Olha o barquinho
Enquanto vivo uma dúvida eterna entre aceitar ou não aceitar a proposta de trabalhar como fotógrafa em navios de cruzeiro, estou vivendo em clima de despedida. Eu moro sozinha e amo minha mini casa. Ela foi decorada de acordo com meus gostos, tem fotos, esmaltes e lanternas orientais espalhadas por todos os cantos. De vez em quando me pego olhando as paredes, tentando guardar essa imagem na memória.

Mês passado eu me dei um presente, um microondas. Que coisa mais dona de casa, mas tudo vale a pena para tornar meu cantinho mais aconchegante. Aí eu penso que vou embarcar nessa nave-louca chamada lifeonboard e deixar tudo isso que conquistei para trás. Pode parecer pouco, mas hoje eu tenho minha casa, meu carro, meu microondas, minha televisão, minha coleção de esmaltes, três discos de vinil pregados na parede e uma canga de copacabana que serve de cortina.

Nada é para sempre, trabalhar no navio tende a ser passageiro. Mas quando eu voltar, como serão as coisas? Vou voltar a morar com minha mãe? Vou voltar a morar em Campinas, longe da família?
Meu pai não aceita essa idéia louca de deixar a faculdade, meu emprego e tudo o que tenho aqui para perder tempo dentro de um barco. Mas nesse momento a opinião dele não tem tido muito peso. O que dói. Muito.

Preciso tomar uma decisão. Preciso entender o que eu quero e saber que muita, MUITA, coisa vai mudar quando eu voltar.

E se eu viciar nessa vida louca e quiser reembarcar para um segundo contrato? E se eu odiar profundamente no terceiro dia e quiser voltar? Não, isso não vai acontecer porque eu sou dura na queda. Mas o medo fica batendo na tecla da vida na volta. Vou procurar não pensar idéia da volta, mesmo que seja impossível.

Já recomecei tantas vezes, de lugares tão mais baixos, recomeçar de novo vai ser só mais um desafio. A faculdade eu tranco e destranco quando voltar. O resto a gente dá um jeito.
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